Mais um filme louco da Netflix, mas que dá pra aproveitar alguma coisa

Não sei se isso tem acontecido com vocês, mas, os últimos filmes da Netflix que eu assisti, foi bugação total. Alguns foram simplesmente perda de tempo, só que esse até que deu pra tirar algumas mensagens.

Minha cabeça ficou imersa em questionamentos, a começar pela descrição da Netflix (sempre sucinta e aleatória):

Uma jornalista no limite. A reportagem da vida dela. Envolvida em um segredo de guerra, ela só confia na verdade.

Resumo do filme

Anne Hathaway no filme A última coisa que ele queria

O filme gira em torno de Elena (Anne Hathaway), uma jornalista que deseja desmascarar um esquema de venda de armas entre políticos e traficantes de outro país. Em meio a questões controversas no Jornal onde trabalha, a trama passeia por anos da vida da personagem em que o objetivo final (flagrar o crime) nunca se concretiza.

No meio disso tudo, Elena precisa lidar com suas questões familiares, que acabam se misturando com sua vida profissional. A vontade de Elena em conseguir a matéria é tão grande que, qualquer coisa que ela faça, ela dá um jeito de reverter para a missão de expor quem ela julga que são os criminosos.

Numa confusão de cenários, a personagem principal já não consegue discernir porque está onde está, porque faz o que faz e quem é ou não seu aliado. Ela se mete em situações ilusórias, que prometem, ora o seu bem-estar, ora o risco pela reportagem. Ela escolhe os dois e não escolhe nenhum.

Um fim trágico

Bem como na vida, a obsessão nos leva a caminhos tortuosos. Elena confia em todos que compreendem a sua fixação e se sente ameaçada por quem quer realmente lhe salvar, porque salvar envolve a cura, e ela não quer se curar dessa doença.

Anne Hathaway no filme A última coisa que ele queria

Ela prefere morrer a parar a busca pela história que pretende publicar. Deixa literalmente tudo de lado para viver o que já nem sabe mais. Em toda a sua ilusão, é facilmente manipulada pelos próprios inimigos que pretende expor, colocando-os ao seu lado e lhes entregando a sua vida.

No fim, todo o material que Elena coletou a vida inteira vai parar em boas mãos e entende-se que finalmente o caso será evidenciado e resolvido. Mas a que custo? Quanto sangue será derramado por crimes que não são nossos?

Um recado sobre a mídia

Numa época de mídia desenfreada, costumamos criticar os jornalistas e o seu papel na sociedade. Nós os achamos tendenciosos e desonestos. Mas esquecemos que o repórter também é ser humano, também tem doenças, família, questões pessoais.

No filme, é retratado que Elena passou por um câncer de mama, por um divórcio, pelas mortes do pai e da mãe, e pelo afastamento da filha, que estava estudando longe. Fora isso, dentro do próprio Jornal, foi retirada do seu cargo original, por motivos desleais.

Essa personagem, em específico, fez de tudo para garantir algo muito além do seu sucesso profissional: o bem à comunidade em geral. E ela conseguiu. Depois de não estar mais aqui, mas conseguiu. E quantos já conseguiram dessa mesma forma?

A mídia divulga além do necessário, mas também o necessário. O que seria de nós sem um intermediário para nos mostrar o que os nossos olhos não alcançam? Como compreenderíamos tanto sobre tantas situações no mundo sem profissionais comprometidos a isso?

Elena se dedicou ao jornalismo mais do que devia, mas fez o seu trabalho e a sociedade foi beneficiada. Devemos agradecer às Elenas do mundo inteiro.

Escrito por Sarita Deoli

Nordestina, advogada e graduanda em psicologia. Criou o Brutamor para falar sobre a natureza humana, seu tema preferido. Acredita no valor do autoconhecimento e do conhecimento em si. Tem mais esperança do que antigamente e insiste que não está aqui só de passagem. Sua matéria-prima é o amor.

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