Não deixei de ser humana por causa do smartphone

Antigamente, quando não existia smartphone, as pessoas não sabiam tão rápido do que andava acontecendo com os seus amigos, familiares distantes e outros. Talvez você nunca soubesse. A gente só sabia mesmo do que acontecia com as pessoas que a gente convivia, os próximos mesmo.

Obviamente, tínhamos que fazer escolhas, afinal, não ia dar tempo de conviver com todo mundo. Então, ficava quem dava, seja porque queríamos, seja porque precisávamos, seja porque éramos obrigados. E era com essas pessoas que a gente tinha um compromisso de prestar assistência e consideração.

Mas hoje, ah hoje!, hoje a gente pode tudo, temos smartphones! Se seu amigo foi morar no Pólo Norte, ainda existe obrigação social entre vocês. Somos onipresentes, podemos nos comunicar com qualquer um, não há desculpas!

A questão é que, mesmo que o ser humano queira estar com “n” queridos, não é possível que ocorra. Pela leis da física e do sustento alimentar, uma pessoa comum tem que trabalhar, realizar necessidades básicas, socializar com os próximos no mundo real, cuidar da saúde etc. Apesar de parecer, a internet não deu super poderes pra gente.

Só que, ainda assim, existe uma cobrança social, que vira uma cobranças com nós mesmos, de que a gente tem que atingir essa meta de interagir com todo mundo que gostamos porque temos um mecanismo pra isso e inaceitável que não se aproveite. Com uma voz malvada, você diz pra si mesmo que se você se afastou de alguém foi porque você quis, porque você é uma pessoa péssima ou qualquer outra autosabotagem.

A verdade é que você se afastou porque você simplesmente estava vivendo a sua vida e, principalmente, porque a outra pessoa se afastou também porque ela também estava vivendo a vida dela. Parece um trocadilho infame mas é a realidade por fora dos celulares.

As pessoas ainda se gostam, se querem e sentem saudades uma das outras mas elas não podem ficar presas a um aparelho de alguns centímetros o tempo todo, a menos que ela trabalhe com isso ou está com muito tempo livre.

Os smartphones trazem uma culpa que não é nossa e que a gente não escolheu. Óbvio que gostamos de conforto e praticidade mas temos horror a cobranças ilimitadas e invenções que crescem em poucos anos, deixando o nosso psicológico totalmente abalado.

O mundo tem andado rápido mas nosso coração, cuidado, é frágil.

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