Sobre o(a) Brutamor [1]

Esse é um texto em 1ª pessoa da realidade e o que deveria ser a introdução do blog mas, como a própria autora, tem sua própria cronologia.

Introdução não precisa vir no começo, na fecundação, no momento adequado e propício. Introdução é
quando você decide que vai iniciar. E faz.

Sempre gostei de escrever. Primeiramente sobre carinho, pureza e romances utópicos, quando o mundo ainda era colorido para mim. ‘Segundamente’, sobre como o mundo era terrível e os seres humanos eram podres e nada disso deveria existir, o momento em que levei alguns tapas na cara, às vezes murros, ou aquelas porradas que você cai dura no chão mesmo. Em seguida, passei para temas ainda questionadores, mas com uma visão um pouco mais otimista, do tipo: “Levei um murro, ok. Mas levantei e estou pronta para mais!”

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(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A minha obsessão por escrever era tanta que quando eu sentia algo por alguém que eu não podia dizer (seja paixão, raiva, desprezo, qualquer sentimento), eu escrevia uma carta imensa para a pessoa e depois jogava fora, porque eu simplesmente precisava colocar pra fora de alguma forma e o papel era o espaço perfeito. Eu queria ser daquelas que tinha desenhos, quadros e fotos pendurados pelo quarto, mas a única coisa que eu tinha vontade de botar na parede eram frases, mensagens e letras de músicas que eu gostasse. Nas redações da escola e da faculdade, sempre tinha que pedir folha extra. Por menor que eu fizesse minha letra, as folhas nunca eram suficientes. Eu só não digo que meus namorados sofreram muito com as DRs porque eles eram igualmente prolixos, então ficava um pelo outro, rs.

Twitter sempre foi minha rede social preferida, adorava escrever umas frases interessantes, umas sinceridades desagradáveis, ironias, sarcasmos e, claro, umas indiretas. Hoje, os amantes das letras já dominaram o Instagram, o que faz com que aconteça uma combinação perfeita de artes visuais e textuais, fazendo essa rede cumprir melhor o papel para mim atualmente.

Mas então onde estão essa coletânea de textos escritos ao longo dessa vida? Essa é a parte mais triste da história. Eu fui crescendo e observando o que era essa escrita para os outros. Infelizmente, não tive boas perspectivas: “Qualquer tipo de arte não dá dinheiro, você vai passar fome”, “Pare de ter tantos sentimentos, ninguém liga para isso”, “A sociedade não vai mudar, não adianta ficar questionando tanto”, “Você tem que se humilhar se quiser ter algo na vida”, “O importante é só ser bonita, ganhar dinheiro, casar e ter filhos, se você cumprir isso tá beleza”. Vocês devem estar imaginando que tipo de vida medíocre eu tive daí para a frente…

A culpa é minha também porque sempre me importei muito com a opinião dos outros, em ser amada, querida e admirada. E, apesar de ter vivido inquieta todos esses anos, eu abaixei a cabeça mais vezes do que eu possa imaginar para todas as cobranças insanas da minha própria mente. E por me sentir julgada, censurada, subestimada “pelos outros” – na verdade, era por mim mesma – eventualmente, eu jogava tudo que eu escrevia fora.

Perdi as contas quantas vezes pensei em fazer um blog e despejar todas as minhas angústias. Será que alguém do outro lado da tela também estaria sentindo o mesmo? Mas nunca tive coragem.
Mas eis que aqui estou com muito a doar, muito a aprender, muito a aperfeiçoar.

Como eu sempre pensei em criar um blog, confabulava há muitos anos qual poderia ser o nome, mas nunca tinha achado um que tivesse força. Na semana que resolvi dar a cara à tapa, eu estava ouvindo muito a música O Quereres, de Caetano Veloso. Viajo muito na mensagem que ela passa, que na minha interpretação, significa que não adianta o quanto queremos uma coisa ou o que querem para a gente, no fundo nós só podemos ser nós mesmos. E aí, tem um pedaço que diz “ah, bruta flor do querer” e eu achei tão lindo porque nós, seres humanos, somos isso:  brutos e delicados ao mesmo tempo, e que querem desabrochar.

Só que eu achei que “flor” remetia a apenas um indivíduo por estar no singular e comecei a divagar…

(Continua no texto 2 – clique para conferir)

Sarita Oliveira

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